Nachtcafe

Tuesday, September 26, 2006

Salsa night


ASP Salsa Team 2006


Fiesta latina

Passada a prova do Feenstra, tivemos outras boas desculpas para festejar: a despedida da Julia, que voltou para Budapeste depois de completar seu estagio de verao no Kiel Institute, e o aniversario deste que vos escreve. A festa nao poderia ter sido mais latina. Por sugestao da Julia, acabamos indo a um clube de salsa. Todos, mesmo aqueles que dancaram pela primeira vez, entraram na pista e se divertiram bastante. Principalmente as meninas, que nao pararam um minuto!

Lazer em Kiel


Entre um exame e outro, felizmente sobra um tempinho para se divertir e recuperar as energias. Localizada as margens do mar Baltico, Kiel e um dos principais centros da pratica da vela e de diversos esportes nauticos. Por incrivel que pareca, tem ate praia com areia branca nesta parte do planeta!

Ha algumas semanas, por exemplo, aproveitamos para navegar pelo fiorde por algumas horas no barco da universidade. E o melhor, por apenas tres euros! Os estudantes que nos guiaram pelo passeio disseram que muitas vezes sao organizadas viagens de tres a quatro dias ate a Dinamarca. Infelizmente a temporada acabou, mas certamente estaremos de volta na primavera.

Sabado passado foi a vez do windsurfing. Apesar de ter ficado no maximo 20 segundos em pe sobre a prancha, gostei bastante da experiencia. Como sempre na vida, e caindo que se aprende.

Friday, September 15, 2006

Aula Magna



Robert Feenstra (esq.) e Denis Snower (Presidente do Kiel Institute)

A programacao da semana foi bastante intensa. Depois da prova do Greenaway na segunda, teve incio o curso do professor Robert Feenstra, talvez o principal especialista em estudos empiricos de comercio internacional em todo o mundo. PhD pelo MIT e professor da Universidade da California em Davis, Feenstra e autor de "Advanced International Trade", um livro bastante usado em cursos de pos-graduacao, inclusive em Columbia.

Ate agora, foi o melhor e certamente mais desafiador curso que tive. Apesar do pouco tempo, Feenstra nos ofereceu uma brilhante exposicao dos principais desenvolvimentos no estudo de fenomenos como "outsourcing" (transferencia de producao e servicos dos paises desenvolvidos para China e India, por exemplo), relacao entre produtividade e crescimento economico e padroes de comercio.

Feenstra tambem veio a Kiel por um motivo especial. Em homenagem ao fundador do Kiel Institute, a cada dois anos o Premio Bernard Harms e oferecido a um pesquisador pela sua contribuicao ao estudo de economia internacional. Neste ano Feenstra juntou-se ao seleto grupo de economistas, muitos dos quais acabaram recebendo o Premio Nobel depois.

O conteudo de sua Aula Magna foi um resumo daquilo que vimos durante a semana, basicamente a extensao do que Paul Krugman e outros comecaran a desenvolver no final da decada de 90 e inicio dos anos 80: as teorias de "competicao monopolistica", que levaram a uma melhor compreensao das imperfeicoes do mercado.

Apesar de mais formal que seus antecessores, Feenstra mostrou-se bastante descontraido no tradicional jantar com os participantes do ASP. Mas o tom "professoral" ainda era o mesmo.

Kiel Lauf


Corrida pedestre de "alto nivel"

Como forma de manter a motivacao para nao deixar a corrida de lado, resolvemos nos inscrever para uma prova que acontece todos os anos por aqui. Foi a primeira vez que participei de uma corrida de rua e a experiencia foi muito gratificante, apesar do desempenho, no minimo, constrangedor.

Por que constrangedor? Chegar entre os ultimos nao seria problema - nao fossem os adversarios que tive de enfrentar. Explico. Havia 3 opcoes de distancias: 6,5, 10,5 e 21,5 km. Por razoes obvias, a maioria escolheu a primeira opcao - embora dois corajosos da turma tenham encarado a meia-maratona - da qual participaram principalmente criancas e corredores mais velhos (ver foto acima).

Comecei bastante empolgado, num ritmo razoavel, ate que no fim do primeiro km passei a me sentir mal. Para resumir a historia, tive de diminuir o ritmo e ver meus concorrentes mirins me ultrapassar. Pior do que isso foram os corredores com o dobro da minha idade me fazendo comer poeira. No final, acabei a corrida por questao de honra, nao sem cruzar a linha de chegada atras de duas meninas que tinham no maximo 12 anos de idade.

Vivendo e aprendendo... :)

Monday, September 04, 2006

Comida

Salsichao para todos os gostos

Atendendo ao publico fiel destas paginas, segue um breve relato da rotina gastronomica.

Antes de vir para ca, minha grande preocupacao era ter de comer salsicha quase todo dia. A preocupacao passou, mas a salsicha continua presente no cardapio. O que nao e ruim, ate porque a qualidade e muito boa, assim como a variedade disponivel.

Dividindo a cozinha

Depois das aulas, seguimos todos juntos para o refeitorio da Assembleia Legislativa do Estado de Schleswig-Holstein, a poucas quadras do Kiel Institute. A comida e excelente e da pra almocar muito bem com menos de 5 euros. No jantar e nos finais de semana geralmente cozinhamos no HW. Como nao tem China-in-Box por perto, nao tem outra alternativa alem de pilotar o fogao. Mas ate que nao esta sendo uma experiencia ruim. Mestre Alberto ficaria orgulhoso de seu pupilo! :)

Muitas vezes acabamos dividindo a cozinha e os pratos. E como nao poderia deixar de ser, acabei me especializando no bratwurst. A versao local do salsichao!



Tenis e filosofia

Licoes inesperadas de um upgrade necessario

Por vezes, fatos triviais nos ensinam boas licoes sobre o mundo em que vivemos. Ou, pelo menos, a realidade que parcela privilegiada da humanidade tem acesso. Foi isso o que senti recentemente ao comprar um par de tenis.

Pela foto, percebe-se que, mais do que um luxo, trocar de calcado era uma necessidade. Como desde que cheguei venho praticando jogging para tentar manter a forma, decidi pela primeira vez comprar um tenis de corrida de verdade.

Chegando a loja, pedi a vendedora algumas sugestoes. A primeira coisa que fez foi pedir que tirasse o calcado, ao qual olhou com atencao e fez alguns comentarios sobre o desgaste irregular da sola. Em seguida, pediu para que levantasse primeiro o pe direito, depois o pe esquerdo. Ja ia tirando a meia, pois imaginava que seria um exame medico completo, quando ela trouxe alguns pares de tenis para eu provar na esteira.

Enquanto corria, um equipamento filmava meus movimentos. Depois de alguns minutos, a vendedora - talvez melhor chama-la de "consultora de equipamentos para movimentos biomecanicos"- me indicou porque havia sugerido aquele par, por cnta do formato dos meus pes e das minhas passadas.

Moral da historia: em tempos de massificacao do consumo e individualizacao dos produtos, confesso que nunca havia percebido como calcados adequados podem fazer tanta diferenca! :)

Greenaway


Semana passada comecamos um novo curso: teoria de comercio internacional. O instrutor desta vez e David Greenaway, de Nottingham, no Reino Unido. Alem de lecionar, ele tambem dirige o Leverhulme Center, o maior centro de estudos sobre globalizacao da Europa, e exerce a Vice-Presidencia da universidade. Mais interessante, sao as outras posicoes que em que ele atua, como veremos em instantes.

Antes, porem, segue uma pequena descricao do que estamos estudando nestas duas semanas. Talvez a melhor forma de faze-lo seja apresentar algumas das questoes que tentamos abordar durantes as aulas: o que determina os padroes de comercio, i.e. quem exporta o que, por que e para onde? Quem perde e quem ganha com as trocas comerciais?

Por ter estudado e trabalhado com o assunto, tem sido muito mais facil acompanhar as aulas. Um tema interessante, sobre o qual tive de preparar uma breve exposicao juntamente com alguns colegas, foi o que na teoria do comercio internacional se conhece por "comercio intra-industrial" ("intra-industry trade").

Durante muito tempo supos-se que a especializacao levaria os paises industrializados a exportar manufaturas e a importar materias-primas. O que se observa na pratica e que nao so esses paises tanto exportam quanto importam produtos intensivos em capital, como tambem e comum, por exemplo, paises que exportam carros tambem importarem carros. Dai a ideia do comercio intra-industrial, ou seja, trocas comerciais de produtos de um mesmo tipo de industria, que correspondem a mais de 60% de todo o comercio entre os paises desenvolvidos.

O professor Greenaway e um especialista em comercio intra-industrial. Mas e por outro motivo a maioria dos participantes do ASP se interessou pelo que ele tinha a dizer na noite em que todos saimos para jantar, como manda a tradicao.

Nunca havia parado para pensar, mas qual o principal motivo que um cidadao para ir, voluntariamente, ao Iraque ou Afeganistao? Patriotismo? Busca de aventura? Talvez. Mas o principal e o incentivo economico. E Greenaway e o chairman de um grupo independente que aconselha o primeiro-ministro da Gra-Bretanha em questoes de salarios para os militares.

Entre descricoes de viagens que teve de fazer aos paises em conflito, ele disse que um dos principais problemas e como reter o pessoal na carreira, diante de ofertas comparativamente mais vantajosas - e seguras - do setor privado. A solucao, segundo o professor, inclui bonus para renovacao de contrato, aposentadoria precoce e, principalmente, vantajosos planos de pensao.

Sem fazer juizo de valor, parece que tudo realmente tem o seu preco...