Nachtcafe

Thursday, November 09, 2006

I. House e New Haven


Com Anuj e Masa, da I. House

Apesar da correria, fiquei muito feliz em poder rever alguns bons amigos da I. House. Na foto acima estao dois dos meus vizinhos, grandes entusiastas das sessoes de filmes de terror japones no nosso lounge do terceiro andar - das quais preferia me ausentar - e com quem compartilhei boas conversas madrugadas a dentro.

Tambem passei rapidamente pela minha "segunda casa" para reencontrar ao Marco, meu vizinho de quarto e que ainda mora por la. E como nos velhos tempos, batemos um bom papo no pub. Regados a suco de maca, como de costume...



Prima Lizete, indo para o trabalho em Times Square

No dia seguinte, peguei o trem rumo a New Haven para encontrar outro camarada dos tempos da Poli. Sai junto com a minha prima Lizete, que gentilmente me ofereceu abrigo durante a minha estada em NY. Ela recentemente foi transferida para a cidade e esta trabalhando como advogada em um escritorio local. Obrigado pela hospitalidade mais uma vez, Zete!


Biblia de Gutemberg em Yale


Renzo e Ana Laura, com New Haven ao fundo

No caminho para Boston, passei rapidamente por New Haven para visitar o Renzo e a Ana Laura. Recentemente eles retornaram aos EUA, depois que o Renzo foi convidado para lecionar em Yale como professor visitante.

Como muitos de nos que participamos do Gremio Politecnico, o Renzo e um engenheiro "diferente". Depois de fazer seu mestrado em educacao, ele continuou seus estudos em Columbia, onde completou seu doutorado em antropologia no ano passado. Assistir a uma de suas aulas foi uma das experiencias mais gratificantes de toda a viagem, por ter acompanhado, mesmo a distancia, aquilo o que ele e a Ana Laura tiveram de enfrentar para chegarem aonde estao.

SIPA reunion

Ao contrario do que o "Nachtcafe" possa deixar transparecer, foram tres meses de trabalho (cof, cof) bastante intenso. A partir de agora, ate meados de fevereiro, vamos ter um periodo com tempo relativamente flexivel para nos dedicarmos aos projetos de pesquisa (mais sobre este tema em breve).

Aproveitando a nova fase, resolvi tirar alguns dias para participar de atividades que ja haviam sido programadas com alguma antecedencia. Assim passei as duas semanas seguintes entre Nova York, Boston e Londres.

O primeiro item da agenda foi a participacao nas comemoracoes dos 60 anos da School of International and Public Affairs (SIPA), na Universidade de Columbia, em NY, onde fiz meu mestrado.



Com a Eliza, manda-chuva do Institute of Latin American Studies (ILAS), aos pes da Alma Mater (cortesia: Eliza)


Comecei visitando a SIPA, onde reencontrei alguns amigos e visitei a Teresa, no Center for Brazilian Studies. Tambem conversei brevemente com o diretor executivo do ILAS Thomas Trebat. Em seguida almocei com a Eliza - sim, ela mesma que curte Kid Abelha e gosta de deixar mensagens ao lado :) - no bom e velho Cafe Swish. A noite fui a recepcao aos alumni da SIPA na sede da ONU. Foi muito legal rever tante gente conhecida e ouvir historias de colegas espalhados mundo a fora. Quanta coisa aconteceu em um ano!



Amigos da SIPA (cortesia: Beatriz)



Prof. Stiglitz autografando seu mais recente livro "Making Globalization Work"

O dia seguinte foi dedicado a uma serie de eventos em Columbia. Depois da palestra pela manha com Joseph Stiglitz, nobel de economia em 2001, tivemos uma breve sessao com o Prof. Trebat sobre o contexto politico na America Latina.

Entre um evento e outro aproveitei para discutir minha pesquisa com o professor Albert Fishlow e "apresentei" Columbia a minha prima Lizete, que se mudou recentemente para NY e atualmente esta trabalhando com direito corporativo como advogada em um escritorio local.

A tarde ainda participei de um seminario sobre globalizacao financeira e comercio internacional coordenado pela Profa. Merit Janow, diretora do programa de Politica Economica Internacional, minha area de concentracao durante o mestrado, e membro do Comite de Apelacoes da Organizacao Mundial do Comercio.

Alias, rever alguns "mentores" me fez lembrar que, em grande medida, minha opcao pela especializacao em comercio internacional deveu-se a professores como Fishlow e Janow, que sempre ofereceram generoso apoio, orientacao e estimulo intelectual.


Homenagem a James Wolfenson

A noite tivemos um jantar em que foram prestadas diversas homenagens, em particular a Richard Gardner, ex-embaixador dos EUA na Italia e professor da SIPA, e a James Wolfenson, ex-presidente do Banco Mundial.


A Flauta Magica

Mesmo com um exame no dia seguinte, resolvemos assistir "A Flauta Magica" (Zauberfloet, em alemao), de Mozart, na casa de opera local. O ingresso era bastante acessivel, menos de 10 euros, e a casa nao estava cheia. Em comparacao, os ingressos para a mesma apresentacao, com uma montagem brasileira, esgotaram-se meses antes em Sao Paulo!

Aproveitamos para nos despedir da Elena (primeira a esquerda, na foto) , que voltou para Russia depois de fazer um estagio de tres meses no Kiel Institute.


A Flauta Magica


Schwerin

Jenny, Lucia, Szilard e Jose em Schwerin


Vista da torre

Num bate-e-volta, fizemos uma rapida viagem a Schwerin, a capital do estado de Mecklenburg-Western Pomerania. Situada a pouco mais de 2h de trem, Schwerin e uma cidade charmosas situada numa regiao que fazia parte da antiga Alemanha Oriental. Por sinal, os vestigios daquele periodo ainda sao visiveis por toda parte, seja pela arquitetura ou pela infra-estrutura precaria para os padroes germanicos.



Vista da torre - parte 2

Esse passeio foi feito num final de semana em que tivemos aulas de econometria (estatistica aplicada). Mas pouparei os visitantes da pagina desta vez... :)

Thursday, October 05, 2006

La e ca...


Angela Merkel e Horst Koehler, primeira-ministra e presidente, respectivamente

Como havia escrito no post anterior, a parada no Dia da Reunificacao nao teve nenhuma referencia militar, talvez com excecao dos soldados-com-chapeu-escova abaixo. O fato e que qualquer referencia nacionalista, ou pior, de carater belico, ainda causa desconforto por aqui. Mesmo as geracoes mais novas parecem continuar digladiando com fantasmas do passado.

Esses fatos me fizeram pensar nas contradicoes que vivemos no nosso pais, principalmente com respeito a "amnesia" que nos abate de tempos em tempos. Roberto Jefferson aclamado pelo povo durante a votacao? Maluf e Collor ressucitados no Congresso? Mensaleiros revigorados pelo resultados das urnas? Dificil dizer se se trata de memoria curta ou nao. Tem coisas que sao dificeis de explicar...


Exercito da faxina?


Pelotao carnavalesco



Abobora gigante, para nao dizerem que so falo "abobrinha"... :)

3 de outubro - Dia da Reunificacao da Alemanha


Mapa da area de eventos do Dia da Reunificacao

Desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, todos os anos e celebrado o Dia da Reunificacao da Alemanha em 3 de outubro, sempre em uma cidade diferente. Felizmente, para nossa sorte, desta vez Kiel foi escolhida como a sede oficial neste ano.

Como toda tradicao "inventada" (a la Hobsbawn), ainda vai levar algum tempo ara o Dia da Reunificacao se consolidar. Diferentemente de outros paises, existem poucas referencias civicas, com excecao da bandeira alema por toda parte. Mesmo a parada parecia mais desfile de carnaval do que qualquer outra coisa. Nada de tiros de canhoes ou cacas sobrevoando a regiao (ver cometarios no proximo texto).



Jenny e o picles do filme "Adeus Lenin"


Tentacoes gastronomicas

A festa toda foi muito bonita, com diversas atividades que aconteceram simultaneamente entre apresentacoes musicais, comidas tipicas e barracas para todos os gostos. Tudo muito simples e eficiente, bem ao estilo alemao. Infelizmente nao pudemos ficar muito tempo, por causa da prova no dia seguinte as festividades.


Alvorecer no Hoerstkai

Casal 20

Nesta semana acabamos o modulo de politica fiscal e monetaria da Uniao Europeia. O curso foi dado por dois professores: Willem Buiter, da London School of Economics, e Anne Sibert, do Birbeck College, da Universidade de Londres. Alem de interesses academicos, eles tem muito mais coisas em comum. Inclusive compartilham o mesmo teto. Dai a referencia ao antigo seriado dos anos 80.

Buiter e um caso interessante de academico e "policymaker". Sua passagem por centros renomados como Yale, Cambridge e LSE tem se dado paralelamente a suas atividades no Banco Europeu de Reconstrucao e Desenvolvimento, onde e economista chefe, sua atuacao no conselho de politica monetaria na Inglaterra, notoria por suas posicoes nao convencionais. O curso em si foi um pouco confuso, mas algumas ideias apresentadas sao bastante interessantes.

Por exemplo, um dos principais temas no velho continente e o "Pacto de Estabilidade e Crescimento"- tamben conhecido como "O Pacto" - uma serie de pre-condicoes que precisam ser atingidas para que os paises do leste europeu possam se integrar a Eurozona. Os criterios sao bastante rigidos e dizem respeito ao nivel de endividamento e deficit fiscal que devem ser mantidos pela Eslovaquia, Hungria e outros postulantes ao acesso. Buiter acredita que as condicoes estabelecidas pelo "Pacto"nao sejam adequadas porque contem regras estaticas e nao levam em consideracao perspectivas de endividamentos futuros (por conta de possiveis aumentos de gastos com a previdencia, por exemplo) ou taxas diferenciadas de crecimento (paises cujo PIB cresce mais rapido poderiam contrair maiores dividas no curto prazo).

Como em muitos casais, Buiter e Sibert sao metades simetricas, pelo menos no que se refere a clareza de suas exposicoes. A falta de organizacao do primeiro contrasta com a clareza e didatica da "metade superior da familia", nas palavras do proprio Buiter.

A profa. Sibert abordou diversos temas relativos a politica monetaria na UE. Talvez o mais interessante deles tenha sido a pesquisa que ela tem desenvolvido sobre a dinamica dos comites de politica monetaria baseada em teorias de psicologia social. Dentre as questoes levantadas estao: grupos sao mais eficientes do que individuos na tomada de decisoes? Qual o tamanho ideal de um comite? Como promover o melhor arranjo institucional dos comites de politica monetaria? Alias, ela propria faz parte do "comite sombra" ("shadow committee") do Banco Central Europeu, cujas deliberacoes servem como parametro de comparacao do comite "oficial".

Tuesday, September 26, 2006

Salsa night


ASP Salsa Team 2006


Fiesta latina

Passada a prova do Feenstra, tivemos outras boas desculpas para festejar: a despedida da Julia, que voltou para Budapeste depois de completar seu estagio de verao no Kiel Institute, e o aniversario deste que vos escreve. A festa nao poderia ter sido mais latina. Por sugestao da Julia, acabamos indo a um clube de salsa. Todos, mesmo aqueles que dancaram pela primeira vez, entraram na pista e se divertiram bastante. Principalmente as meninas, que nao pararam um minuto!

Lazer em Kiel


Entre um exame e outro, felizmente sobra um tempinho para se divertir e recuperar as energias. Localizada as margens do mar Baltico, Kiel e um dos principais centros da pratica da vela e de diversos esportes nauticos. Por incrivel que pareca, tem ate praia com areia branca nesta parte do planeta!

Ha algumas semanas, por exemplo, aproveitamos para navegar pelo fiorde por algumas horas no barco da universidade. E o melhor, por apenas tres euros! Os estudantes que nos guiaram pelo passeio disseram que muitas vezes sao organizadas viagens de tres a quatro dias ate a Dinamarca. Infelizmente a temporada acabou, mas certamente estaremos de volta na primavera.

Sabado passado foi a vez do windsurfing. Apesar de ter ficado no maximo 20 segundos em pe sobre a prancha, gostei bastante da experiencia. Como sempre na vida, e caindo que se aprende.

Friday, September 15, 2006

Aula Magna



Robert Feenstra (esq.) e Denis Snower (Presidente do Kiel Institute)

A programacao da semana foi bastante intensa. Depois da prova do Greenaway na segunda, teve incio o curso do professor Robert Feenstra, talvez o principal especialista em estudos empiricos de comercio internacional em todo o mundo. PhD pelo MIT e professor da Universidade da California em Davis, Feenstra e autor de "Advanced International Trade", um livro bastante usado em cursos de pos-graduacao, inclusive em Columbia.

Ate agora, foi o melhor e certamente mais desafiador curso que tive. Apesar do pouco tempo, Feenstra nos ofereceu uma brilhante exposicao dos principais desenvolvimentos no estudo de fenomenos como "outsourcing" (transferencia de producao e servicos dos paises desenvolvidos para China e India, por exemplo), relacao entre produtividade e crescimento economico e padroes de comercio.

Feenstra tambem veio a Kiel por um motivo especial. Em homenagem ao fundador do Kiel Institute, a cada dois anos o Premio Bernard Harms e oferecido a um pesquisador pela sua contribuicao ao estudo de economia internacional. Neste ano Feenstra juntou-se ao seleto grupo de economistas, muitos dos quais acabaram recebendo o Premio Nobel depois.

O conteudo de sua Aula Magna foi um resumo daquilo que vimos durante a semana, basicamente a extensao do que Paul Krugman e outros comecaran a desenvolver no final da decada de 90 e inicio dos anos 80: as teorias de "competicao monopolistica", que levaram a uma melhor compreensao das imperfeicoes do mercado.

Apesar de mais formal que seus antecessores, Feenstra mostrou-se bastante descontraido no tradicional jantar com os participantes do ASP. Mas o tom "professoral" ainda era o mesmo.

Kiel Lauf


Corrida pedestre de "alto nivel"

Como forma de manter a motivacao para nao deixar a corrida de lado, resolvemos nos inscrever para uma prova que acontece todos os anos por aqui. Foi a primeira vez que participei de uma corrida de rua e a experiencia foi muito gratificante, apesar do desempenho, no minimo, constrangedor.

Por que constrangedor? Chegar entre os ultimos nao seria problema - nao fossem os adversarios que tive de enfrentar. Explico. Havia 3 opcoes de distancias: 6,5, 10,5 e 21,5 km. Por razoes obvias, a maioria escolheu a primeira opcao - embora dois corajosos da turma tenham encarado a meia-maratona - da qual participaram principalmente criancas e corredores mais velhos (ver foto acima).

Comecei bastante empolgado, num ritmo razoavel, ate que no fim do primeiro km passei a me sentir mal. Para resumir a historia, tive de diminuir o ritmo e ver meus concorrentes mirins me ultrapassar. Pior do que isso foram os corredores com o dobro da minha idade me fazendo comer poeira. No final, acabei a corrida por questao de honra, nao sem cruzar a linha de chegada atras de duas meninas que tinham no maximo 12 anos de idade.

Vivendo e aprendendo... :)

Monday, September 04, 2006

Comida

Salsichao para todos os gostos

Atendendo ao publico fiel destas paginas, segue um breve relato da rotina gastronomica.

Antes de vir para ca, minha grande preocupacao era ter de comer salsicha quase todo dia. A preocupacao passou, mas a salsicha continua presente no cardapio. O que nao e ruim, ate porque a qualidade e muito boa, assim como a variedade disponivel.

Dividindo a cozinha

Depois das aulas, seguimos todos juntos para o refeitorio da Assembleia Legislativa do Estado de Schleswig-Holstein, a poucas quadras do Kiel Institute. A comida e excelente e da pra almocar muito bem com menos de 5 euros. No jantar e nos finais de semana geralmente cozinhamos no HW. Como nao tem China-in-Box por perto, nao tem outra alternativa alem de pilotar o fogao. Mas ate que nao esta sendo uma experiencia ruim. Mestre Alberto ficaria orgulhoso de seu pupilo! :)

Muitas vezes acabamos dividindo a cozinha e os pratos. E como nao poderia deixar de ser, acabei me especializando no bratwurst. A versao local do salsichao!



Tenis e filosofia

Licoes inesperadas de um upgrade necessario

Por vezes, fatos triviais nos ensinam boas licoes sobre o mundo em que vivemos. Ou, pelo menos, a realidade que parcela privilegiada da humanidade tem acesso. Foi isso o que senti recentemente ao comprar um par de tenis.

Pela foto, percebe-se que, mais do que um luxo, trocar de calcado era uma necessidade. Como desde que cheguei venho praticando jogging para tentar manter a forma, decidi pela primeira vez comprar um tenis de corrida de verdade.

Chegando a loja, pedi a vendedora algumas sugestoes. A primeira coisa que fez foi pedir que tirasse o calcado, ao qual olhou com atencao e fez alguns comentarios sobre o desgaste irregular da sola. Em seguida, pediu para que levantasse primeiro o pe direito, depois o pe esquerdo. Ja ia tirando a meia, pois imaginava que seria um exame medico completo, quando ela trouxe alguns pares de tenis para eu provar na esteira.

Enquanto corria, um equipamento filmava meus movimentos. Depois de alguns minutos, a vendedora - talvez melhor chama-la de "consultora de equipamentos para movimentos biomecanicos"- me indicou porque havia sugerido aquele par, por cnta do formato dos meus pes e das minhas passadas.

Moral da historia: em tempos de massificacao do consumo e individualizacao dos produtos, confesso que nunca havia percebido como calcados adequados podem fazer tanta diferenca! :)

Greenaway


Semana passada comecamos um novo curso: teoria de comercio internacional. O instrutor desta vez e David Greenaway, de Nottingham, no Reino Unido. Alem de lecionar, ele tambem dirige o Leverhulme Center, o maior centro de estudos sobre globalizacao da Europa, e exerce a Vice-Presidencia da universidade. Mais interessante, sao as outras posicoes que em que ele atua, como veremos em instantes.

Antes, porem, segue uma pequena descricao do que estamos estudando nestas duas semanas. Talvez a melhor forma de faze-lo seja apresentar algumas das questoes que tentamos abordar durantes as aulas: o que determina os padroes de comercio, i.e. quem exporta o que, por que e para onde? Quem perde e quem ganha com as trocas comerciais?

Por ter estudado e trabalhado com o assunto, tem sido muito mais facil acompanhar as aulas. Um tema interessante, sobre o qual tive de preparar uma breve exposicao juntamente com alguns colegas, foi o que na teoria do comercio internacional se conhece por "comercio intra-industrial" ("intra-industry trade").

Durante muito tempo supos-se que a especializacao levaria os paises industrializados a exportar manufaturas e a importar materias-primas. O que se observa na pratica e que nao so esses paises tanto exportam quanto importam produtos intensivos em capital, como tambem e comum, por exemplo, paises que exportam carros tambem importarem carros. Dai a ideia do comercio intra-industrial, ou seja, trocas comerciais de produtos de um mesmo tipo de industria, que correspondem a mais de 60% de todo o comercio entre os paises desenvolvidos.

O professor Greenaway e um especialista em comercio intra-industrial. Mas e por outro motivo a maioria dos participantes do ASP se interessou pelo que ele tinha a dizer na noite em que todos saimos para jantar, como manda a tradicao.

Nunca havia parado para pensar, mas qual o principal motivo que um cidadao para ir, voluntariamente, ao Iraque ou Afeganistao? Patriotismo? Busca de aventura? Talvez. Mas o principal e o incentivo economico. E Greenaway e o chairman de um grupo independente que aconselha o primeiro-ministro da Gra-Bretanha em questoes de salarios para os militares.

Entre descricoes de viagens que teve de fazer aos paises em conflito, ele disse que um dos principais problemas e como reter o pessoal na carreira, diante de ofertas comparativamente mais vantajosas - e seguras - do setor privado. A solucao, segundo o professor, inclui bonus para renovacao de contrato, aposentadoria precoce e, principalmente, vantajosos planos de pensao.

Sem fazer juizo de valor, parece que tudo realmente tem o seu preco...

Sunday, August 27, 2006

Hamburgo e St. Pauli

Com os estudos e trabalhos ocupando a agenda nas proximas semanas, decidimos ir a Hamburgo no sábado. O primeiro grupo saiu logo pela manha; aqueles que ainda estavam se recuperando do dia anterior viajaram a tarde. Sabia decisão a de ir no segundo grupo, visto o que teriamos pelas proximas horas...A segunda maior cidade da Alemanha, com cerca de 2,5 milhoes de habitantes, fica a pouco mais de 1h de trem. Tambem abriga o maior porto do pais e o segundo maior da Europa, depois de Roterda, na Holanda, o que contribui para a diversidade e o carater cosmopolita do local.

Chegamos as 17h e, depois de um breve passeio de ferry, paramos para um cafe a beira do rio Elba. Antes do jantar em uma pizzaria no simpatico bairro de Altonaer, ainda fizemos hora em pub local. O cigarro em lugares fechados e algo com que nao da para acostumar, ainda mais por aqui onde o habito de fumar encontra-se mais arraigado do que em outros lugares.

ASP em Hamburgo


No ferry boat, navegando pelo rio Elba

O restante da noite passamos em St. Pauli, o impressionante centro da vida noturna em Hamburgo. As ruas e avenidas repletas de bar lembram uma Vila Madalena em escala ampliada, muito maior do que o Village, de Nova York, por exemplo. Em St. Pauli tambem encotramos uma mini-versao do “Red Lights district” de Amsterda. Nessa area mulheres nao sao permitidas, mas a Veronika, bravamente juntou-se a nos no rapido giro pela regiao, com suas vitrines e “atracoes”, nao sem deixar de ser hostilizada pelas profissionais de plantão.

Finalmente, seguindo a tradição local, terminamos a noitada no Fischmarket, o mercado de peixes local que abre todos os domingos. La gastamos nossas ultimas energias assistindo a uma apresentacao de tiozinhos que tocavam rock dos anos 70, tanto canções internacionais conhecidas quanto musicas alemas que animavam a plateia, em boa parte formada por gente sexagenaria. E que disposicao!

A volta foi tranquila. Pegamos o trem pontualmente as 9h20, horario alemao, e num piscar de olhos - literalmente :) - ja estavamos casa.

Museums Nacht

Centro de eventos no final do Kieler Fjord

Na sexta-feira, 25/8, aconteceu o “Museums Nacht” em Kiel, uma maratona de atividades culturais que acontece todos os anos. Durante a “Noite dos Museus”, diversas apresentacoes, workshops e mostras especiais estao disponíveis ao publico em toda a cidade. Lembra bastante a Semana de Arte que organizavamos na Poli.

Como iria passar parte do fim-de-semana fora, inicialmente havia planejado ficar em casa para adiantar os trabalhos. Mas nao deu para resistir. No começo da noite, apesar da leve chuva que caia, assisti a um excelente grupo de rock, com destaque para a “Janis Joplin” local. Comigo estavam o Jose, e Christian - nao o aniversariante, mas outro chara tambem chamado de “1860”, pelo seu entusiasmo por um tradicional clube de futebol alemao atualmente na segunda divisao da Bundesliga.

1860” acabou voltando mais cedo enquanto o Jose e eu fomos a festa de encerramento que aconteceu na Stadtgalerie, La encontramos a Malwina e a Pia, outra colega alema do ASP, e alguns estagiarios do Kiel Institute.

O local abrigava uma exposicao de fotografias de artistas brasileiros e o tema da festa era o Brasil. Foi uma grata surpresa ouvir a uma bela interpretacao de musicas de bossa nova, antes que o DJ animasse o evento com musicas brasileiras, alternadas com os hits latinos que fazem sucesso mundo afora.

E o que era para ser uma noite tranquila terminou as 3h da manha, depois que pedalamos, ainda sob a chuva, de volta ao Haus Weltclub.

Tuesday, August 22, 2006

Na falta do PCC...

Estacao de trem em Kiel

Se Sao Paulo tem o PCC, vez por outra a tranquilidade aqui tambem e quebrada por eventos inesperados. Nesta semana foi anunciada a descoberta de uma tentativa frustrada de explosao de um trem na Alemanha. A acao teria sido organizada por um terrorista estudante universitario em Kiel. Vejam a noticia que saiu hoje no "New York Times":

Germans Eye Network Behind Train Bomb Suspects

By MARK LANDLER and SOUAD MEKHENNET
Published: August 22, 2006

FRANKFURT, Aug. 22 — A top German security official said today that two Lebanese men suspected of planting bombs on two German trains might have had support from a network of Islamic extremists here and in Lebanon.

“There might be a structure of helpers and supporters in Lebanon and Germany,” August Hanning, the secretary of state for the Interior Ministry, said in an interview. “We are still investigating this.”

Mr. Hanning said the bombs, which had been stuffed into suitcases but failed to explode, were professionally made and suggested a methodically planned attack rather than a spur-of-the- moment scheme.

“We don’t think that this was a spontaneous act because you can’t make bombs like this from one day to the next,” he said.

The comments by Mr. Hanning, a former head of Germany’s federal intelligence agency, underscore why this case is viewed as the gravest terrorist threat in Germany since 2001, when militant Islamic students living in Hamburg laid the plan to hijack commercial airliners in the United States.

The bombing plot has rattled Germans, depriving them of a sense of relative insulation from terrorism and prompting a debate over the adequacy of the government’s antiterrorism measures.

Today, German authorities identified a 20-year-old Lebanese man, Jihad Hamad, as the second suspect in the failed plot. But Mr. Hamad appears to have fled the country, Mr. Hanning said.

He lived most recently in Cologne where, on July 31, video surveillance cameras recorded him and a 21-year-old Lebanese accomplice boarding trains, lugging suitcases with propane-gas explosives.

On Saturday, police arrested the other man, identified as Youssef Mohammed el-Hajdib, in the northern city of Kiel. They credited a tip from Lebanon’s military intelligence agency, which intercepted a panicked phone call he made to his family there after video images of him were broadcast here.

The suspect has said little to authorities so far, and Mr. Hanning was reluctant to speculate on his motives. He did note that the timing of the attempted bombing, which took place late last month, coincided with the fighting in Lebanon.

Today, the police arrested a young man in Kiel who is a friend of Youssef Mohammed el-Hajdib. Investigators are trying to determine the extent of the support network for the would-be bombers.

The main suspects, Mr. Hanning said, grew up in Lebanon in what he described as an “extremist milieu.” Authorities believe Youssef Mohammed el-Hajdib may have links to Hizb ut-Tahrir, a radical Islamic group banned in Germany, though the group denies he is a member.

German authorities are also investigating whether he visited the Imam Ali Mosque in Hamburg, believed to be a gathering place for supporters of Hezbollah.

Both suspects lived in Germany for some time before the attempted attacks. Mr. Hanning said it was not clear whether they moved here with a plan to carry out an attack or were radicalized later.

Although the explosive devices were homemade, Mr. Hanning said they showed considerable expertise. “The bombs were professionally made,” he said. “It was just good fortune that the detonators didn’t work.”

The possible Hamburg connection carries an echo of the Sept. 11 attacks, which prompted criticism that the German authorities did not act aggressively enough against terrorist activity in their midst. Several of the hijackers in the 2001 attacks lived together in Hamburg, where their conspiracy took shape.

In the wake of this plot, the interior minister, Wolfgang Schäuble, has called for the expansion of video surveillance of train stations and other public places, and the creation of an antiterrorist database — something Germany has resisted because of concerns about privacy.

Fim de um ciclo

Foto do grupo (ao fundo, a marina em frente ao Kiel Institute)

Hoje fiz a prova final do curso do Corsetti. O exame foi bastante dificil, nao so pela complexidade do programa mas tambem pela quantidade de material visto em tao pouco tempo. Foram duas semanas de aulas com carga equivalente a um semestre academico.

Mas nem tudo foram estudos nestes ultimos dias. Na sexta passada sai para jantar com alguns dos alunos que vieram para ficar apenas duas semanas. Foi uma noite agradavel, com boa conversa no belo restaurante de um clube de remo, a pouco metros do Kiel Institute.

Tambem demos uma pausa nos livros para comemorar o aniversario do Christian. Ou melhor, de um deles, ja que sao tres "homonimos" na classe. A festa surpresa, organizada pela Malwina, a representante polonesa da turma, teve direito a bolo e velas.

Ate a proxima segunda-feira teremos um periodo de relativa tranquilidade, apenas com alguns seminarios para frequentar pelas manhas. Vou aproveitar para finalizar a traducao de um trabalho que escrevi com o meu ex-chefe, Marcos Jank, presidente do ICONE e professor da FEA para submeter a uma conferencia sobre integracao comercial entre paises emergentes e industializados. Como ninguem e de ferro, devo passar o final de semana com o pessoal em Hamburgo. Ate porque, nao teremos tantas oportunidades de lazer ate o final de outubro.